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RELATOS

 

 

 

 

 

 

 

                                 

O fenômeno do crescimento  urbano , com a verticalização das edificações, tem como resultado a grande concentração de pessoas em áreas reduzidas. Isso implica,  com um numero maior de pessoas em determinado local, acarreta numa maior possibilidade de ocorrência a um incêndio. O crescimento das grandes metrópoles tem sido acompanhadas por registros de grandes incêndios. Para se ter uma noção, citamos exemplos dos principais incêndios ocorridos nas ultimas décadas, que refletem a vulnerabilidade dos edifícios, em função da falha no seu sistema de segurança, que sofre influencia direta das:

-  condições dos equipamentos e instalações de proteção contra incêndio;

-  das características construtivas do edifício;

- do tipo de ocupação;

- do perfil dos ocupantes;

- da localização do edifício no lote urbano;

- do treinamento dos ocupantes da edificação ( plano de abandono )

- do aparelhamento dos Bombeiros;

- da fiscalização dos órgãos competentes;

 

6 Relatos e cronologia dos principais incêndios  

 

16:45 – 25 de Março de 1911, numa mal ventilada indústria têxtil, que ocupava os 3 últimos andares de um edifício de 10 andares , na Triangle Schirwaist Company, de New York, estalou um incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, judias e italianas imigrantes, que trabalhavam precariamente, com o assoalho coberto de materiais e resíduos inflamáveis, o lixo amontoado por todas as partes, sem saídas em caso de incêndio, nem mangueiras para água... Para " impedir a interrupção do trabalho", a empresa trancava à chave a porta de acesso à saída. Quando os bombeiros conseguiram chegar onde estavam as mulheres, 147 já tinham morrido, carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde se jogavam em desespero.

 

                          

 

 

DIÁRIO DA TARDE - 18/12/1961.

AUMENTA O NÚMERO DE VÍTIMAS DO SINISTRO DE NITERÓI 330 MORTOS:

O Palácio do Ingá, sede do Governo do Estado do Rio, acaba de informar que sobe a 330 o número de mortos na catástrofe ocorrida ontem a tarde no Gran Circo Norte-Americano. Acrescentou que há pelo menos 200 feridos hospitalizados em Niterói e Guanabara e a maior parte destes se acha em estado grave, sendo que muitos provavelmente não sobreviverão. O governador Celso Peçanha há poucos momentos se retirou para repousar (7:00h)depois de ter passado a noite de ontem dirigindo os trabalhos de socorro das vítimas.

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Edifício Andraus

São Paulo - 24 de Fevereiro de 1972;

Edifício com 31 pavimentos de escritórios e lojas;

Incêndio atingiu todos os andares;

6 vítimas fatais e 329 feridos;

Origem no 4º pavimento, em grande quantidade de material depositado.

“São Paulo - Da sacada de seu apartamento, no Jardim da Luz, o aposentado Miguel Ângelo Biondi, paulistano do Bexiga, de 71 anos, aponta o perfil do Edifício Andraus, perdido no horizonte do emaranhado de construções do centro da cidade. Mal se vê o prédio, mas ele o reconhece pelo desenho inconfundível do terraço, um heliporto desativado, que na noite de 24 de fevereiro de 1972 serviu de base para os helicópteros resgatarem centenas de vítimas do mais impressionante dos grandes incêndios ocorridos em São Paulo. Foi uma tragédia de 7 horas e 35 minutos, que deixou 6 mortos e 329 feridos.

As labaredas começaram por volta das 16h15 na sobreloja das Casas Pirani, invadiram em poucos minutos todos os 28 andares e atingiram cinco prédios vizinhos - três no outro lado da Avenida São João e dois na esquina da Rua Aurora. Traumatizada, a cidade parou.

"Entrei meia hora antes na seguradora em que trabalhava para adiantar umas notas promissórias e quase não saí mais", recordou Biondi na tarde de quarta-feira, depois de abraçar em silêncio, olhos marejados, o coronel Roberto Lemes da Silva, o então tenente-bombeiro que o salvou 32 anos atrás. Com a ajuda de três sargentos e um cabo, o oficial arrastou pelo menos 40 pessoas ao longo de 7 metros de uma escada, improvisada em ponte, entre o teto do Edifício Palladium e o 12.º andar do Andraus. "Como é que vocês tiveram aquela idéia?", perguntou Biondi, ainda admirado com a criatividade da equipe da 4.ª Companhia de Busca e Salvamento que o livrou do edifício em chamas.

Lemes, um especialista em segurança e em combate ao fogo que agora dá aulas, aos 57 anos, num curso de pós-graduação para gerentes de cidades na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), não tem resposta para a curiosidade de Biondi. "Sei lá, numa hora dessas a gente faz o melhor que vem à cabeça", desconversou, emocionado, feliz com o sorriso agradecido do corretor aposentado. "Obrigado pelo que fez pela gente", repetia sem parar aquele homem que ele acabara de conhecer.

Biondi não se lembrava das feições do bombeiro, mas guardou viva na memória a imagem de um vulto escuro que brilhava a seu lado, iluminado pelas luzes piscando na rua, 50 metros abaixo. "Só recordo que era um bombeiro que sabia conversar, falava alto e animava a gente", disse Biondi. "Era eu", revelou Lemes - lembrando do recurso que ele e seus homens costumavam usar para encorajar vítimas.

Gratidão

Biondi e sua mulher, Dalva, olharam o coronel com extrema gratidão. "O senhor foi um anjo sem asas", agradeceu o aposentado, conferindo com o homem que salvou sua vida detalhes de uma tragédia que, três décadas depois, ainda não saiu de sua cabeça. "Em nenhum momento pensei que fosse morrer, mas não sabia como ia sair daquele inferno", revelou, sempre sorrindo, orgulhoso da própria sorte. Biondi tentou escapar pelo terraço, de onde decolavam 12 helicópteros, mas o alçapão de acesso havia sido trancado.

Restavam as escadas, prédio abaixo, sob o calor de uma temperatura que, no foco das chamas, atingia 700 graus. "As paredes pareciam uma frigideira, de tão quentes que estavam", lembra-se o corretor.

A maioria dos sobreviventes, entre os quais Paschoal Giuliano, presidente do Palmeiras, saiu por esse caminho. O coronel Lemes calcula que mais de 2 mil pessoas estavam no Andraus quando o fogo começou, entre a primeira e a segunda sobreloja das Casas Pirani, que tinham suas vitrines no térreo. Do heliporto foram tiradas mais de 300 pessoas. Aglomeradas no terraço, enquanto uma multidão gritava da rua pedindo calma, elas impediam a descida dos helicópteros. Até que o capitão Hélio Caldas, comandante do tenente Lemes, saltou de um dos aparelhos e abriu uma clareira para iniciar o resgate.

"Me deitaram no chão de um desses helicópteros e me levaram para a Praça Princesa Isabel e dali para o hospital", recorda o publicitário Levy dos Santos, funcionário da Siemens, uma das empresas do condomínio. As outras inquilinas eram Petrobras, Shell e várias corretoras de seguros, além da Pirani.

Centenas de vítimas espremiam-se pelas escadas, enquanto o socorro não chegava. "Eu não tinha mais esperança de viver e, por isso, recoloquei no dedo uma aliança com o nome de minha mulher, Lethes, para que pudessem identificar meu corpo", conta Levy, de 75 anos, reconstituindo lembranças do "tempo interminável" que passou no 21.º andar.

Desespero

Nem todos tiveram a esperança de Biondi e a calma de Levy. Algumas pessoas lançaram-se do terraço ou das janelas, no desespero de escapar da morte. O vento empurrava as chamas para o lado da Avenida São João, onde o volume de fogo transformou a tragédia do Andraus num dos incêndios visualmente mais espetaculares da história. "Desse ponto de vista, o Andraus foi mais pavoroso que o Joelma, em que morreram 187 pessoas", afirma o coronel Lemes. Os números de vítimas são contraditórios, porque os registros somam aos mortos retirados dos prédios a alguns que morreram depois.

"Não morri no Andraus porque pedi demissão na Siemens um dia antes", afirma a baiana Judith Santos Tolentino, 47 anos ascensorista do Edifício Palladium. Ela era copeira da multinacional alemã e havia passado naquela tarde de quinta-feira para acertar as contas, quase na hora do incêndio. "Recebi o dinheiro e, como não haviam dado baixa na carteira, resolvi ir comprar uma passagem na antiga rodoviária para meu irmão, que ia para Ilhéus. Quanto voltei, o prédio estava pegando fogo". Judith guarda fotos de funcionários da Siemens, entre eles Levy dos Santos, seu padrinho de casamento.

Salomão Ferreira Chaves, o zelador do Palladium que na terça-feira levou o coronel Lemes ao terraço do prédio para mostrar onde os bombeiros improvisaram uma ponte para o Andraus, ouve essas histórias com um nó na garganta. Ele tinha 18 anos de idade e acompanhou o incêndio perdido no meio da multidão que se juntou na Praça da República.

"Meu sofrimento era ver que não podia fazer nada para socorrer as vítimas", disse o zelador. Trinta anos depois da catástrofe, os vizinhos e testemunhas da tragédia falam dela com detalhes, descrevendo cenas e repetindo diálogos como se tivessem ocorrido alguns dias atrás. O coronel Lemes também. Ele ainda ouve ressoar a voz de uma moça que, olhando-o nos olhos, repetia sem parar: "Bombeiro, eu quero viver!"

 

De acordo com relatos dos sobreviventes do incêndio.

 

EDIFÍCIO JOELMA

 

São Paulo - 01 de Fevereiro de 1974;

Edifício com 25 pavimentos de escritórios e garagens;

Incêndio atingiu todos os pavimentos;

189 vítimas fatais e 320 feridos;

Causa Possível: curto-circuito.

 

Data: sexta-feira, dia 1º de fevereiro de 1974

Hora de início: aproximadamente 08:50 horas

Vítimas: 189 mortes e 320 feridos

Número de ocupantes: estavam no local, por volta de 756 pessoas

Origem: aparelho de ar condicionado no 12º andar; exames posteriores demonstraram que havia uma ligação de outro pavimento, sem controle daquele em que estava

Número de andares: vinte e cinco

Desenrolar dos fatos: às 08:50 horas um funcionário ouviu um ruído de vidro rompendo, proveniente de um dos escritórios do 12º andar. Foi até lá para verificar e constatou que um aparelho de ar condicionado estava queimando. Foi correndo até o quadro de luz daquele piso para desligar a energia; mas ao voltar encontrou fogo seguindo pela fiação exposta ao longo da parede. As cortinas se incendiaram e o incêndio começou a se propagar pelas placas combustíveis do forro. Correu para apanhar o extintor portátil, mas ao chegar não conseguiu mais adentrar à sala, devido à intensa fumaça. Subiu as escadas até o 13º andar, alertou os ocupantes e ao tentar voltar ao 12º pavimento, encontrou densa fumaça e muito calor. A partir daí o incêndio, sem controle algum, tomou todo o prédio. Foram feitas várias corridas de elevadores até que a atmosfera permitisse, salvando muitas pessoas; porém uma ascensorista na tentativa de salvar mais vidas, após as condições ficarem muito ruins, morreu no 20º andar.

 

                                               

    

Edifício Grande Avenida

São Paulo - 14 de Fevereiro de 1981;

Pela segunda vez;

Incêndio atingiu 19 pavimentos;

17 vítimas fatais e 53 feridos;

Origem no subsolo;

 

                 

 

17/02/1986 - Incêndio no edifício ANDORINHAS, Rio de Janeiro (Brasil) com 20 mortos;

                                                           

Andorinhas rj

 

Edifício CESP

 

São Paulo - 21 de Maio de 1987;

Edifício com 02 blocos com 21 pavimentos e 27 pavimentos respectivamente;

Propagação de incêndio entre blocos e, em decorrência, colapso da estrutura com desabamento parcial.

 

 

         Prédio em alvenaria de 20 andares, Localizado na Avenida das Américas  altura do N° 6800 Condomínio Novo Leblon. 22/11/2005

                                                           

         Incêndio atingiu a coluna predial envolvendo os aptos (tipo):  1503, 1603, 1703, 1803, 1903; e o 2503 (cobertura).

        

 

         Marcha das chamas de dentro para fora e  de baixo para cima (profundidade de queima e marcas de carbonização).

         Propagação das chamas através das aberturas do ar e das janelas

                                                                         

 

O incêndio foi causado por um fenômeno termoelétrico por efeito Joule, tipo Curto-circuito, no condutor de alimentação de força  do ar condicionado do quarto  situado setor lateral direito do apartamento 1603.

         Dados: CPPT- Centro de Pesquisas, Perícias e Testes – Niterói - RJ

Os incêndios nos últimos trinta anos tornaram-se mais perigosos e destrutivos do que antes. Anteriormente a maior parte dos incêndios era caracterizada por incêndios do tipo classe “A” em que os combustíveis predominantes eram a madeira, papel, tecido, algodão entre outros. Hoje os incêndios como fruto do desenvolvimento tecnológico caracterizam-se por incêndios em polímeros sintéticos, como plásticos e resinas tendo a composição da fumaça uma toxidez bem mais acentuada

         Um significativo aumento da energia térmica liberada em Mj/m2

         Uma maior liberação de produtos tóxicos decorrentes do processo da combustão

         Um aumento do potencial corrosivo de um incêndio

         Uma maior diversidade de produtos tóxicos liberados

         Maior probabilidade da ocorrência de “flashovers” e “backdrafts”

         Um aumento considerável no número de mortes nos incêndios em decorrência da fumaça (80% - NFPA,1981)

 

(Fonte: projeto final em Pós Graduação - UFRJ - Eng. Hugo Desio Ormonde Rocha)


Previna-se de todos esses acidentes, com Projetos de Segurança Contra Incêndio e Pânico,
para adequação à LEI 897 de 21/09/76 (COSCIP).

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